Ministro do Trabalho é afastado pelo STF em nova fase de investigação sobre fraudes em registros sindicais

Nova fase da Operação Registro Espúrio também fez buscas no gabinete do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Parlamentar disse que não tem ‘nada a temer’; ministro ainda não se manifestou.

Helton Yomura, ministro interino do Trabalho (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

 Helton Yomura, ministro interino do Trabalho (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

  O Ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi suspenso do cargo em uma nova fase da Operação Registro Espúrio, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (5). A suspensão, pedida pela PF, foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na decisão, Yomura foi impedido de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com demais investigados ou servidores da pasta. Ele vai prestar um depoimento à polícia na manhã desta quinta.

Na nova fase da operação, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP). Assim como Yomura, ele foi proibido de frequentar o ministério e de manter contato com outros investigados e servidores da pasta, exceto quando for imprescindível ao exercício do mandato de deputado.

  A Operação Registro Espúrio investiga uma suposta organização criminosa integrada por políticos e servidores que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.

  O deputado Nelson Marquezelli (PTB - SP) durante sessão na Câmara (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

                                                  O deputado Nelson Marquezelli (PTB – SP) durante sessão na Câmara (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

Resumo da operação

  • O STF determinou o afastamento de Yomura e buscas no gabinete de Marquezelli, e os impediu de frequentar o Ministério do Trabalho;
  • A Corte também determinou a prisão do chefe de gabinete de Yomura, Júlio de Souza Bernardes, do superintendente regional do trabalho no RJ, Adriano José de Lima Bernardo, e de Jonas Antunes Lima, assessor do deputado Marquezelli;
  • A PF diz que Yomura é “testa de ferro” do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB;
  • As medidas fazem parte da 3ª fase da Operação Resgistro Espúrio, que investiga fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.
  • Ao todo, a PF foi às ruas para cumprir 10 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária em Brasília e Rio de Janeiro. Um dos mandados de prisão é para um assessor parlamentar de Marquezelli.

    Segundo a polícia, as investigações e o material coletado nas primeiras fases da Operação Registro Espúrio indicam a participação de novos atores e apontam que cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com pessoas comprometidas com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas.

    ‘Testa de ferro’

    De acordo com a PF, Helton Yomura foi lançado no cargo de ministro do Trabalho para dar continuidade às irregularidades investigadas na operação. A Polícia apontou que ele é um “testa de ferro” de caciques do PTB, partido que indicou os ministros do Trabalho no governo Michel Temer.

    A polícia afirmou que o papel de Yomura era “viabilizar a ingerência” da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) na pasta, e “dar continuidade aos desmandos” do presidente do PTB, Roberto Jefferson, no ministério. Jefferson é pai de Cristiane. Ela chegou a ser escolhida por Temer para assumir o Ministério do Trabalho em janeiro deste ano, mas foi impedida por decisões judiciais.

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